Esse povo que ninguém vê

comunidade da fibra do bairro Industrial Aracaju- SE

Autores

Palavras-chave:

Espaço Urbano, Pescadores Artesanais, Povos e Comunidades Tradicionais

Resumo

São tarefas de uma ciência que analisa o espaço e de pesquisadores que buscam justiça e cidadania dar visibilidade a “esse povo que ninguém vê”, reforçando seus aspectos tradicionais e as violações de direito vivenciadas. Portanto, o objetivo principal deste artigo foi refletir sobre a situação territorial da Comunidade da Fibra, localizada em meio urbano, no Bairro Industrial da capital Aracaju – SE, que resiste e reivindica melhorias frente a um crescimento urbano seletivo, desigual e contraditório. Como metodologia realizou-se um conjunto de levantamentos e verificação de dados junto a órgãos oficiais, consulta a partir de leis municipal e estadual, revisão bibliográfica, fotografias e participação em diálogos com lideranças. Assim, compreendeu-se que os interesses, os direitos e a integridade dos territórios de grupos étnicos protegidos por tratados internacionais, em especial a Convenção 169 (OIT), atraem a incidência do art. 109 (III) da Constituição Federal, dispositivo que foi esquecido ou ignorado. A restrição de direitos fundamentais das comunidades tradicionais, em Aracaju, desconsiderou as alegações no processo de implementação do PDDU.

Biografia do Autor

Jorge Edson Santos, Universidade Federal de Sergipe

Doutorando em Geografia pelo Programa de Pós-graduação em Geografia (PPGEO/UFS 2021). Mestre (PPGEO/UFS 2017). Graduando em Geografia Bacharelado na Universidade Federal de Sergipe (UFS 2017 - atual). Graduado em Geografia Licenciatura pela Universidade Federal de Sergipe (UFS 2009-2014). Integrante do Laboratório de Estudos Rurais e Urbanos (LABERUR-DGE-UFS). Colaborador do Banco de Dados da Luta pela Terra (DATALUTA-SE). Prestou assessoria ao projeto do Núcleo de Extensão em Desenvolvimento Territorial: Agroecologia, Gênero e Participação política no campo brasileiro em Sergipe (NEDET-SE 2015-2017). Analista do projeto Observatório Social dos Royalties (OSR) pelo Programa de Educação Ambiental com Comunidades Costeiras (PEAC). Discente pesquisador do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Reforma Agrária (NERA). Desenvolve pesquisa na área de Geografia Humana, com ênfase na relação campo-cidade e movimentos sociais. Bolsista do Programa de Iniciação Científica (PIBIC 2012-2014). Bolsista Voluntário do Programa de Iniciação Científica (PIBIC - 2009). Tem experiência no Programa Bolsa Trabalho da UFS (2010-2012).

Lucas Zenha Antonino, UNIFESSPA

Doutor em Geografia pela Universidade Federal da Bahia (2019). Mestre em Geografia: Tratamento da Informação Espacial (2013), Bacharel e Licenciado em Geografia (2010) pela PUC-Minas. Pós-Doutor em Geografia pela Universidade Federal de Sergipe com pesquisa sobre as violações de direitos no evento/crime do derramamento do petróleo no litoral brasileiro. Professor Adjunto do Magistério Superior, curso de Licenciatura em Geografia, na UNIFESSPA / IETU. Pesquisador vinculado ao Grupo de Pesquisa GeografAR / UFBA / CNPq com pesquisa e extensão junto às comunidades tradicionais e populações do campo em conflitos com os territórios extrativo-mineral.

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Publicado

2023-08-02

Como Citar

EDSON SANTOS, J.; ZENHA ANTONINO, L. Esse povo que ninguém vê: comunidade da fibra do bairro Industrial Aracaju- SE. Terra Livre, [S. l.], v. 2, n. 59, p. 165–210, 2023. Disponível em: https://publicacoes.agb.org.br/terralivre/article/view/2900. Acesso em: 30 maio. 2024.

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