CIDADE PLANEJADA SIGNIFICA CIDADE SEGREGADA?
GEOGRAFIA RADICAL NEGRA COMPARADA EM BELO HORIZONTE E CHICAGO
DOI:
https://doi.org/10.62516/terra_livre.2025.3987Palavras-chave:
Belo Horizonte, Chicago, sentido negro de lugar, quilombos, planejamento urbanoResumo
O artigo propõe uma análise comparativa entre Belo Horizonte (Brasil) e Chicago (EUA), ambas planejadas no final do século XIX. A partir do diálogo entre os estudos de Katherine McKittrick acerca de um sentido negro de lugar (black sense of place), e de Beatriz Nascimento, que trata do conceito de quilombo como estrutura social e espacial de resistência negra, investiga-se como práticas de planejamento urbano modernistas contribuíram para a materialização de projetos de segregação racial em contextos distintos, mas estruturalmente conectados por práticas hegemônicas. A pesquisa se desdobra a partir de três narrativas: a primeira, que examina os ideais de progresso associados às cidades planejadas; a segunda, que evidencia como esses projetos reforçaram dinâmicas de expropriação e subordinação de populações negras; e a terceira, que discute formas de resistência negra por meio de processos de aquilombamento, que permitem a compreensão de um sentido negro de lugar, para além da violência.
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