Água, cobrança e commodity: a geografia dos recursos hídricos no Brasil

Autores

  • Antônio A. R. Ioris Mestre e Doutor em Geografi a, Senior Policy Offi cer (SEPA) Scottish Environment Protection Agency (SEPA) Erskine Court, Castle Business Park, Stirling FK9 4TR, Escócia, Reino Unido

Resumo

Durante toda a história brasileira, mas principalmente no último século, a atividade econômica levou a progressivo estranhamento entre sociedade e meio ambiente, ao mesmo tempo que cristalizou uma situação de grave injustiça social. A industrialização da economia foi responsável por consolidar um modelo de produção que se beneficia da exploração dos recursos hídricos e da exclusão social como ferramentas de acumulação de capital. Crescentes níveis de escassez hídrica e desiguais oportunidades de acesso à água são sintomas desse antagonismo entre sociedade e meio ambiente. Mudanças institucionais recentes vêm promovendo uma nova epistemologia de gestão de águas e enfatizando o espaço hidrológico como unidade de intervenção. O principal instrumento de gestão passa a ser a cobrança pelo uso da água, o que atende aos interesses de uma aliança estratégica entre forças de mercado e ambientalistas conservadores. A cobrança tem apenas reproduzido a mesma lógica anterior de mercantilização da água, responsável pelas distorções sócio-ambientais do processo de desenvolvimento econômico. Passado e presente demostram que os problemas de recursos hídricos têm origem na contradição básica entre as relações de produção capitalista e as condições naturais de produção

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Publicado

2015-09-03

Como Citar

A. R. IORIS, A. Água, cobrança e commodity: a geografia dos recursos hídricos no Brasil. Terra Livre, [S. l.], v. 2, n. 25, p. 121–137, 2015. Disponível em: https://publicacoes.agb.org.br/terralivre/article/view/402. Acesso em: 29 fev. 2024.