A QUESTÃO PREVIDENCIÁRIA NO TERRITÓRIO BRASILEIRO
da cidadania imperfeita ao investidor mais-que-perfeito
DOI:
https://doi.org/10.62516/terra_livre.2025.4019Palavras-chave:
seguridade social, fundos de pensão, financeirização, reformas previdenciáriasResumo
Em consonância com a caracterização dos conteúdos normativos como elementos constitutivos (condicionantes e condicionados) do espaço geográfico, este artigo propõe uma análise territorial da questão previdenciária brasileira. Ao articularmos as etapas metodológicas de revisão bibliográfica, levantamento e análise de fontes documentais (leis, regulações e dados sobre previdência social e privada no Brasil), identificamos como três grandes rodadas de reformas previdenciárias se interpõem entre os processos de internalização e externalização da política social expressa pelo benefício de aposentadoria em relação ao aparato estatal brasileiro. Enquanto a Constituição Cidadã de 1988 aparece como ponto culminante do longo processo de internalização que articula direito capilarizado com as perspectivas de desenvolvimento e reversão de desigualdades socioespaciais, a proeminência do modelo de previdência privada aberta reflete a externalização da provisão de aposentadoria para os indivíduos sob a mediação de instituições e produtos financeiros seletivos e espacialmente centralizados.
Downloads
Referências
ALESINA, A.; ARDAGNA, S. Large changes in fiscal policy: taxes versus spending. National Bureau of Economic Research, Working paper n. 15438, 2010.
ALMEIDA, M. Reformas neoliberais no Brasil: a privatização nos governos Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso. Tese (Doutorado no Programa de Pós-Graduação em História) -Universidade Federal Fluminense/UFF, Niterói, 2010.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm . Acesso em: 17/10/2025.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Emenda Constitucional n. 20, de 15 de dezembro de 1998. Modifica o sistema de previdência social, estabelece normas de transição e dá outras providências. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc20.htm . Acesso em: 17/10/2025.
BRASIL. Lei complementar n. 108, de 29 de maio de 2001. Dispõe sobre a relação entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, suas autarquias, fundações, sociedades de economia mista e outras entidades públicas e suas respectivas entidades fechadas de previdência complementar. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp108.htm . Acesso em: 17/10/2025.
BRASIL. Lei complementar n. 109, de 29 de maio de 2001. Dispõe sobre o Regime de Previdência Complementar e dá outras providências. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp109.htm . Acesso em: 17/10/2025.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Emenda Constitucional n. 41, de 19 de dezembro de 2003. Modifica e revoga artigos da Constituição Federal e da Emenda Constitucional n. 20. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc41.htm . Acesso em: 17/10/2025.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Emenda Constitucional n. 95, de 15 de dezembro de 2016. Altera o Ato das Disposições Transitórias para instituir o Novo Regime Fiscal, e dá outras providências. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc95.htm . Acesso em: 17/10/2025.
BRASIL. Lei n. 13.467, de 13 de julho de 2017. Altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/l13467.htm . Acesso em: 17/10/2025.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Emenda Constitucional n. 103, de 12 de novembro de 2019. Altera o sistema de previdência social e estabelece regras de transição e disposições transitórias. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc103.htm . Acesso em: 17/10/2025.
BRASIL. Ministério da Previdência Social. Relatório Gerencial de Previdência Complementar. 2º trimestre, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/previdencia/pt-br/assuntos/previdencia-complementar/rgpc/2025/rgpc_2025_2tri_1-2.pdf . Acesso em: 17/10/2025.
BRASIL. Ministério da Previdência Social. Secretaria de Regime Geral de Previdência Social. Boletim Estatístico da Previdência Social. 2025. Disponível em: https://www.gov.br/previdencia/pt-br/assuntos/previdencia-social/arquivos/beps082025_final.pdf . Acesso em: 17/10/2025.
ARROYO, M. M. A vulnerabilidade dos territórios nacionais latino-amercianos: o papel das finanças. In: LEMOS, A.; SILVEIRA, M. L.; ARROYO, M. Questões territoriais na América Latina. Buenos Aires: Clacso, 2006, p. 177-190.
BLACKBURN, R. Finance and the fourth dimension. New Left Review, 29, p. 39-70, 2006.
BRANDÃO, C. A. Crise e rodadas de neoliberalização: impactos nos espaços metropolitanos e no mundo do trabalho no Brasil. Cadernos Metrópole, v. 19, n. 38, p. 45-69, 2017.
CARVALHO, L. Valsa brasileira: do boom ao caos econômico. São Paulo: Todavia, 2018.
CLARK, G. Pension fund capitalism. Oxford: Oxford University Press, 2000.
CONTEL, F. The financialization of the Brazilian Territory: from global forces to local dynamisms. Cham/Switzerland: Springer, 2020.
CONTEL, F. B.; WÓJCIK, D. Brazil’s financial centers in the twenty-first century: hierarchy, specialization, and concentration. The Professional Geographer, v.71, n.4, p. 681-691, 2019.
CORDEIRO, H. K. A “cidade mundial” de São Paulo e a recente expansão do seu centro metropolitano. Revista Brasileira de Geografia, v. 54, n. 3, p. 5-26, 1992.
DATZ, G. Brazil’s pension fund developmentalism. Competition and Change, v. 17, n. 2, p. 111-128, 2013.
FAGNANI, E. Previdência: o debate desonesto. São Paulo: Editora Contracorrente, 2019.
FIGUEIREDO, F. P. Miragens do amanhã: previdência e rodadas de neoliberalização no Brasil pós-1988. Tese (Doutorado no Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional) -Universidade Federal do Rio de Janeiro/UFRJ, Rio de Janeiro, 2021.
FIX, M. São Paulo cidade global: fundamentos financeiros de uma miragem. São Paulo: Boitempo, 2007.
FRANÇA, A. S. de. A previdência social e a economia dos municípios. Brasília: ANFIP, 2019.
GRÜN, R. O nó dos fundos de pensão. Novos Estudos, 73, p. 19-31, p. 2005.
JARDIM, M. A. C. Entre a solidariedade e o risco: sindicatos e fundos de pensão em tempos de governo Lula. Tese (Doutorado no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais) - Universidade Federal de São Carlos/UFSCAR, São Carlos, 2007.
LANGLEY, P. The making of investor subjects in Anglo-American pensions. Environment and Plannig D: Society and Space, p. 919-934, 2006.
LAPAVITSAS, C. Financialised capitalism: crisis and financial expropriation. Historical Materialism, 17, p. 114-148, 2009.
LAVINAS, Lena. The takeover of social policy by financialization: The brazilian paradox. New York: Palgrave Macmillan, 2017.
LAZZARATO, M. La fabrica del hombre endeudado: ensayo sobre la condición neoliberal. Buenos Aires: Amorrortu, 2013.
LAZZARINI, S. Capitalismo de laços: os donos do Brasil e suas conexões. São Paulo: BEI Comunicação, 2018.
LEFEBVRE, H. Espaço e política. Belo Horizonte: Editora UFMG, [1972] 2008.
LEYSHON, A.; Thrift, N. The capitalization of almost everything: the future of finance and capitalism. Theory, Culture & Society, 24(7-8), p. 97-115, 2007.
LOUIS, É. Quem matou meu pai. São Paulo: Todavia, 2023.
MALLOY, J. M. A política da previdência social no Brasil. Rio de Janeiro: Graal, 1986.
MARQUES, R. M. et al. A previdência social: da Constituição à reforma de Lula. Revista Textos & Contextos, v. 8, n. 2, p. 195-218, 2009.
RAIMUNDO, L. da Costa. O papel dos fundos de pensão na reconstrução industrial e da infra-estrutura urbana brasileira. Tese (Doutorado no Programa de Pós-Graduação em Economia) - Universidade Estadual de Campinas/UNICAMP, Campinas, 2002.
REIS, A. Temas centrais da nova legislação. In: REIS, A. Fundos de pensão em debate. Brasília: Brasília Jurídica, 2002, p. 15-45.
ROSSI, P.; Dweck, E.; ARANTES, F. Economia Política da Austeridade. In: Economia para poucos: impactos sociais da austeridade e alternativas para o Brasil. São Paulo: Autonomia Literária, 2018.
SANTOS, M. Sociedade e Espaço: a formação social como teoria e como método. Boletim Paulista de Geografia, n. 54, p. 81-99, 1977.
SANTOS, M. O Espaço Dividido. Os dois circuitos da economia urbana nos países subdesenvolvidos. São Paulo: Edusp, [1979] 2008.
SANTOS, M. O espaço do cidadão. São Paulo: EDUSP, [1987] 2012.
SANTOS, M. A Urbanização Brasileira. São Paulo: EDUSP, [1993] 2009.
SANTOS, M. A Natureza do Espaço. São Paulo: EDUSP, [1996] 2008.
SANTOS, M.; SILVEIRA, M. L. O Brasil: território e sociedade no início do século XXI. Rio de Janeiro: Record, 2001.
SANTANA, M. U. Fundos de pensão e estratégia de desenvolvimento nos governos do PT. Tese (Doutorado no Programa de Pós-Graduação em Economia) - Universidade Estadual de Campinas/UNICAMP, Campinas, 2017.
SILVA, S. Intersecção de classes: fundos de pensão e sindicalismo no Brasil. Tese (Doutorado no Programa de Pós-Graduação em Sociologia) - Universidade Estadual de Campinas/UNICAMP, Campinas, 2011.
SILVEIRA, M. L. Geografía y formación socioespacial: por un debate substantivo. Estudios Socioterritoriales – Revista de Geografía, n. 16, n. 2, p. 141-168, 2014.
SILVEIRA, M. L. Circuitos da economia urbana na globalização: novas técnicas, novas encruzilhadas. In: LENCIONI, S.; BLANCO, J. Argentina e Brasil: territórios em redefinição. Rio de Janeiro: Consequência Editora, 2016, p. 85-107.
VALADARES, A. A.; GALIZA, M. Previdência rural: contextualizando o debate em torno do financiamento e das regras de acesso. Brasília: Instituto de Economia Aplicada/IPEA, 2016.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Caio Zarino Jorge Alves

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International License.
Esta Revista está licenciado sob uma licença 
Os Direitos Autorais dos artigos publicados na Terra Livre pertencem ao(s) seu(s) respectivo(s) autor(es), com os direitos de primeira publicação cedidos à Terra Livre.
Os artigos publicados são de acesso público, de uso gratuito, com atribuição de autoria obrigatória, para aplicações de finalidade educacional e não-comercial, de acordo com o modelo de licenciamento Creative Commons 3.0 adotado pela revista.

A Terra Livre está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.
Você é livre para:
- Compartilhar — copie e redistribua o material em qualquer meio ou formato
- Adaptar — remixar, transformar e construir sobre o material
- O licenciante não pode revogar essas liberdades, desde que você siga os termos da licença.
Nos seguintes termos:
- Atribuição — Você deve dar o crédito apropriado , fornecer um link para a licença e indicar se as alterações foram feitas . Você pode fazê-lo de qualquer maneira razoável, mas não de qualquer forma que sugira que o licenciante endossa você ou seu uso.
- Não Comercial — Você não pode usar o material para fins comerciais .
- ShareAlike — Se você remixar, transformar ou construir sobre o material, você deve distribuir suas contribuições sob a mesma licença que o original.
- Sem restrições adicionais — Você não pode aplicar termos legais ou medidas tecnológicas que restrinjam legalmente outras pessoas de fazer qualquer coisa que a licença permita.








