CIDADE PLANEJADA SIGNIFICA CIDADE SEGREGADA?

GEOGRAFIA RADICAL NEGRA COMPARADA EM BELO HORIZONTE E CHICAGO

Autores

DOI:

https://doi.org/10.62516/terra_livre.2025.3987

Palavras-chave:

Belo Horizonte, Chicago, sentido negro de lugar, quilombos, planejamento urbano

Resumo

O artigo propõe uma análise comparativa entre Belo Horizonte (Brasil) e Chicago (EUA), ambas planejadas no final do século XIX. A partir do diálogo entre os estudos de Katherine McKittrick acerca de um sentido negro de lugar (black sense of place), e de Beatriz Nascimento, que trata do conceito de quilombo como estrutura social e espacial de resistência negra, investiga-se como práticas de planejamento urbano modernistas contribuíram para a materialização de projetos de segregação racial em contextos distintos, mas estruturalmente conectados por práticas hegemônicas. A pesquisa se desdobra a partir de três narrativas: a primeira, que examina os ideais de progresso associados às cidades planejadas; a segunda, que evidencia como esses projetos reforçaram dinâmicas de expropriação e subordinação de populações negras; e a terceira, que discute formas de resistência negra por meio de processos de aquilombamento, que permitem a compreensão de um sentido negro de lugar, para além da violência.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Cynthia Bráulio Alvim Bustamante, UFMG

Doutoranda em Geografia e bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (FAPEMIG). Mestra e graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Minas Gerais. Tem experiência na coordenação e elaboração de projetos de arquitetura e urbanismo para a administração pública. Possui interesse nas áreas de interseccionalidade, relações racializadas, planejamento urbano, políticas públicas e igualdade racial.

Lydia Collins, UFMG

Doutoranda em Urbanismo na Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Mestra e graduada em Urbanismo pela Tufts University. Tem experiência em planejamento urbano, com foco em desenvolvimento equitativo e sustentável. É professora visitante do programa de Desenho Urbano na Universidade de Illinois em Chicago. Atua como pesquisadora no projeto internacional Change Stories desde 2024 e foi bolsista Fulbright no Brasil em 2022-2023.

Referências

ADELMAN, Jeffrey. Urban Planning and Reality in Republican Brazil: Belo Horizonte, 1890-1930. Tese (Doutorado). Indiana University, Bloomington, 1974.

AGIER, Michel. Camps, encampments, and occupations: from the heterotopia to the urban subject. Ethnos, [s. l.], v. 84, n. 1, p. 14-26, 2019.

ARADAU, Claudia; TAZZIOLI, Martina. Biopolitics multiple: migration, extraction, subtraction. Millennium: Journal of International Studies, [s. l.], v. 48, n. 2, p. 198-220, 2019.

BENTO, Cida. 2022. O pacto da branquitude. São Paulo: Companhia das Letras.

BLEDSOE, Adam. 2015. The negation and reassertion of Black geographies in Brazil. ACME: An International Journal for Critical Geographies, 14(1), pp.324–343.

BUSTAMANTE, Cynthia Bráulio Alvim. Ambivalências urbanas: o protagonismo da população negra em Belo Horizonte - Matripotência, ancestralidade e reparação. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo), Universidade Federal de Minas Gerais, Programa de Pós Graduação em Arquitetura e Urbanismo. Belo Horizonte, 2023.

CARNEIRO, Aparecida Sueli. A construção do outro como não-ser como fundamento do ser. 2005. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005.

CHICAGO PUBLIC LIBRAR, Department of Urban Renewal Records. Public Library. Disponível em: https://www.chipublib.org/fa-chicago-department-of-urban-renewal-records/. Acesso em: 8 out. 2025.

CHICAGO ARCHITECTURE CENTER, 1909 Plan of Chicago. Chicago: Chicago Architecture Center, 2025. Disponível em: https://www.architecture.org/online-resources/architecture-encyclopedia/1909-plan-of-chicago. Acesso em: 8 out. 2025.

CRONON, William. Nature’s Metropolis: Chicago and the Great West. New York and London: W. W. Norton & Company, 1991.

CUTLER, Irving. Jews of Chicago: From Shtetl to Suburb. University of Illinois Press, 1996.

DIAS, Daniel Henrique de Menezes. 2023. Do Curral Del Rey à Belo Horizonte: resgate imagético da experiência negra na cidade. Revista Ñanduty, 11(18), pp.179–203.

DIGITAL SCHOLARSHIP LAB. Renewing Inequality, American Panorama, ed. Robert K. Nelson and Edward L. Ayers, American Panorama. Disponível em: https://dsl.richmond.edu/panorama/renewal/. Acesso em: 8 out. 2025.

FARIAS FILHO, José Almir; ALVIM, Angélica Tanus Benatti. Higienismo e forma urbana: uma biopolítica do território em evolução. Urbe: Revista Brasileira de Gestão Urbana, [s. l.], v. 14, e20220050, 2022.

HIRSCH, A. R.; CONNOLLY, N. D. B. Making the second ghetto : race and housing in Chicago, 1940-1960. Chicago: University Of Chicago Press, 2021.

LIMA, Junia Maria Ferrari de. Bairro Concórdia em Belo Horizonte: entrave ou oportunidade à cidade-negócio? 2009. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) – Escola de Arquitetura e Urbanismo, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2009.

LE GALÉS, Patrick; ROBINSON, Jennifer. Comparative Global Urban Studies in the Making: Welcome to the World of Imperfect and Innovative Urban Comparisons. In: The Routledge Handbook of Comparative Global Urban Studies. Routledge. 2024.

LUTTON, L.; FAN, A.; LOURY, A. Where banks don’t lend. WBEZ91.5, Chicago. June 3, 2020. Disponível em: https://interactive.wbez.org/2020/banking/disparity. Acesso em: 8 out. 2025.

MBEMBE, Achille. Brutalismo. São Paulo: n-1 edições, 2021.

MCDONALD, Daniel. The Origins of Informality in a Brazilian Planned City: Belo Horizonte, 1889-1900. Providence: Journal of Urban History, 2019.

MCKITTRICK, K. On plantations, prisons, and a black sense of place. Social and Cultural Geography. 12:8. p. 947-963. 2011.

MCKITTRICK, Katherine. 2013. Plantation futures. Small Axe: A Caribbean Journal of Criticism, 17(3[42]), pp.1–15.

MINAS GERAES. Congresso Constituinte (1891). Annaes do Congresso Constituinte do Estado de Minas Geraes 1891. Ouro Preto: Imprensa Official do Estado de Minas Geraes, 1896. 530 p.

MUSA, Priscila Mesquita. Quem vê cara não vê ancestralidade: arquivos fotográficos e memórias insurgentes de Belo Horizonte. 2022. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) – Escola de Arquitetura e Urbanismo, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2022.

NASCIMENTO, Abdias do. O quilombismo: documentos de uma militância pan-africanista. Rio de Janeiro: Ipeafro, 2019.

PEREIRA, Josimeire Alves. Para além do horizonte planejado: racismo e produção do espaço urbano em Belo Horizonte (séculos XIX e XX). 2019. Tese (Doutorado em História) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2019.

PORTILHO, Kaká. Um matriarcado amerinafricano no Brasil. In: ALVES, Míriam Cristiane; SILVA, Ana Paula Melo da; DIAS, Raquel Silveira Rita; LAMPAZZI, Priscilla Pinheiro; PORTILHO, Kaká (org.). Matripotência e mulheres olùṣọ́: memória ancestral e a enunciação de novos imaginários. Porto Alegre: Editora Rede Unida, 2021.

RALPH, J. Northern Protest: Martin Luther King, Jr., Chicago, and the Civil Rights Movement. Harvard University Press, 1993.

RATTS, Alex (ed.). 2021. Beatriz Nascimento: uma história feita por mãos negras. Rio de Janeiro: Zahar.

SABA, Roberto. American mirror: the United States and Brazil in the age of emancipation. Princeton: Princeton University Press, 2021.

SANTOS, Renato Emerson. Sobre espacialidades das relações raciais: raça, racialidade e racismo no espaço urbano. In: SANTOS, Renato Emerson (org.). Questões urbanas e racismo. Brasília: ABPN, 2012. (Coleção Negras e Negros: Pesquisas e Debates).

SERRATO, J. Fifty Years of Fred Hampton’s Rainbow Coalition. South Side Weekly. Disponível em: https://southsideweekly.com/fifty-years-fred-hampton-rainbow-coalition-young-lords-black-panthers/. Acesso em: 8 out. 2025.

SILVA, Denise Ferreira da. Homo Modernus: Para uma ideia global de raça. Rio de Janeiro: Cobogó, 2022.

SILVA, Lisandra Mara. 2020. Lei e discriminação na produção da cidade segregada. Revista da ABPN, 12(34), pp.463–488.

THRUSH, C. Chicago Black Panther Party Headquarters Site Honored With Plaque: “They Were Doers”. Block Club Chicago. Disponível em: https://blockclubchicago.org/2025/07/28/site-of-chicago-black-panther-party-headquarters-honored-with-plaque-they-were-doers/. Acesso em: 8 out. 2025.

VIEIRA, Liliane de Castro. O colonial como marca: aspectos da evolução urbana de Ouro Preto. 2016. Tese (Doutorado em História e Fundamentos da Arquitetura e do Urbanismo) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2016.

Publicado

2026-04-01

Como Citar

BRÁULIO ALVIM BUSTAMANTE, Cynthia; COLLINS, Lydia. CIDADE PLANEJADA SIGNIFICA CIDADE SEGREGADA? GEOGRAFIA RADICAL NEGRA COMPARADA EM BELO HORIZONTE E CHICAGO. Terra Livre, [S. l.], v. 2, n. 65, p. 195–231, 2026. DOI: 10.62516/terra_livre.2025.3987. Disponível em: https://publicacoes.agb.org.br/terralivre/article/view/3987. Acesso em: 4 abr. 2026.