A radicalização do conservadorismo no campo

uma análise das ações sofridas pelos movimentos socioterritoriais no Brasil (2020-2022)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.62516/terra_livre.2023.3388

Palavras-chave:

movimentos socioterritoriais, violência no campo, ações sofridas, governo Bolsonaro, rede DATALUTA

Resumo

No Brasil, o passado autoritário da ditadura empresarial-militar de 1964 se reestruturou com outros moldes nos últimos anos e sobretudo no Governo de Jair Bolsonaro (2019-2022), reproduzindo confrontos violentos contra os movimentos sociais. No campo, as lutas se intensificaram, permeadas pelo avanço do agronegócio, de empresas capitalistas e endossadas pelo discurso de representantes estatais. O artigo tem como objetivo compreender as ações sofridas pelos movimentos socioterritoriais agrários no Brasil, entre 2020-2022, pautadas pela radicalização conservadora e pelos discursos e ameaças aos diversos ativismos. Utilizamos a metodologia de pesquisa da Rede DATALUTA, que, desde 2020, sistematiza notícias sobre as ações dos movimentos socioterritoriais e socioespaciais num banco de dados. Num compilado sobre as ações sofridas pelos movimentos, destacamos que os despejos e desapropriações de diversas populações tiveram centralidade nesses anos, além de assassinatos de lideranças do campo. Constatamos que os movimentos foram vítimas da violência estatal, num processo combinado e articulado com o agronegócio dando visibilidade a uma gramática discursiva que acirrou a violência no campo. Entretanto, muitos movimentos atuaram em defesa dos seus territórios, sinalizando a resistência diária das pessoas, seus projetos e emoções, numa permanente luta pela democracia, pelo direito ao território e à vida.

Biografia do Autor

Fernando de Freitas Almeida, UNESP

Mestre em Geografia. Doutorando em Geografia

Lucas Araújo Martins, Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Doutorando em Geografia

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Publicado

2024-06-14

Como Citar

MOURA, J.; DE FREITAS ALMEIDA, F.; ARAÚJO MARTINS, L. A radicalização do conservadorismo no campo: uma análise das ações sofridas pelos movimentos socioterritoriais no Brasil (2020-2022). Terra Livre, [S. l.], v. 2, n. 61, p. 604–638, 2024. DOI: 10.62516/terra_livre.2023.3388. Disponível em: https://publicacoes.agb.org.br/terralivre/article/view/3388. Acesso em: 16 jul. 2024.

Edição

Seção

Artigos