“Acampamento Zé Maria do Tomé, um território de resistência"

territorialidades, conflitualidades e (re)produção camponesa na Chapada do Apodi/CE

Autores

Palavras-chave:

Agronegócio

Resumo

Na Chapada do Apodi, a partir da teia de conflitualidades que emergiram após a territorialização do agronegócio, surgiram diversas formas de resistências camponesas e, neste artigo, destaca-se o Acampamento Zé Maria do Tomé, em Limoeiro do Norte/CE. O objetivo deste artigo é analisar as territorialidades, a (re)produção camponesa e as resistências em contexto de conflitualidades no Acampamento Zé Maria do Tomé. Baseamo-nos nas metodologias da pesquisa social, pesquisa participante e observação participante. Procedimentos metodológicos: 1) levantamento e leitura de material bibliográfico; 2) levantamento do referencial teórico; 3) construção de um banco de dados; 4) trabalhos de campo no território; 5) entrevistas semiabertas; 6) utilização de materiais audiovisuais; 7) realização de oficinas no Acampamento; 8) construção de mapas mentais; 9) elaboração de mapas através do Sistema de Informações Geográficas (SIG). Pode-se perceber, com esta pesquisa, que neste território há luta pela terra, materializada nas resistências dos(as) acampados(as) e dos movimentos sociais.

Biografia do Autor

Rafaela Lopes de Sousa, Universidade Estadual do Ceará

Doutoranda em Geografia pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Estadual do Ceará (UECE). Bacharela em Geografia (2017) pela Universidade Estadual do Ceará (UECE) e Licencianda em Geografia pelo Centro Universitário ETEP. Mestra em Geografia (2020) pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Estadual do Ceará (PropGeo/UECE). Pesquisadora do Grupo de Pesquisa Campo, Terra e Território (NATERRA) da Universidade Estadual do Ceará (CNPq/UECE) e do Laboratório de Estudos do Campo, Natureza e Território (CNPq/UECE); pesquisadora do Grupo de Pesquisa Sistemas Técnicos e Espaço (CNPq/UECE); e pesquisadora do Núcleo TRAMAS - Trabalho, Ambiente e Saúde da Universidade Federal do Ceará (CNPq/UFC). Atua como pesquisadora/militante na Rede Brasileira de Justiça Ambiental (RBJA) e no Movimento 21 de Abril. Tem experiência na área de Geografia Humana, com ênfase em Geografia Agrária, com destaque nos seguintes temas: produção do espaço agrário, território, conflitos territoriais no campo, agroecologia, gênero e geografia, justiça ambiental, resistência camponesa, acampamentos e assentamentos rurais, agrotóxicos, meio ambiente e saúde.

Camila Dutra dos Santos, Universidade Estadual do Ceará

Doutora, Mestre e Graduada em Geografia pela Universidade Estadual do Ceará (UECE). Professora adjunta dos Cursos de Geografia (Licenciatura e Bacharelado, UECE, Campus do Itaperi). Foi Coordenadora dos Cursos de Geografia (Licenciatura e Bacharelado, UECE, Campus do Taperi) (2019-2021). Professora do Programa de Pós-Graduação em Geografia (ProPGeo/UECE). Coordenadora do NATERRA - Grupo de Pesquisa e Articulação Campo, Terra e Território (UECE/CNPq); do LECANTE - Laboratório de Estudos do Campo, Natureza e Território (UECE); e do GEAR - Grupo de Estudos Agrários (UECE). Vice-presidenta do Instituto Terramar de Pesquisa e Assessoria à Pesca Artesanal (TERRAMAR). Conselheira do Sindicato de Docentes da UECE (SINDUECE). Militante do Movimento 21 de Abril. Tem experiência em pesquisa na área de Geografia Humana, com ênfase em Geografia Agrária, atuando principalmente nos seguintes temas: questão agrária, comunidades e povos tradicionais, conflitos territoriais e socioambientais, agricultura camponesa, impactos do agronegócio, resistências à territorialização do capital no campo, relação campo-cidade.

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Publicado

2023-08-02

Como Citar

LOPES DE SOUSA, R.; DUTRA DOS SANTOS, C. “Acampamento Zé Maria do Tomé, um território de resistência": territorialidades, conflitualidades e (re)produção camponesa na Chapada do Apodi/CE. Terra Livre, [S. l.], v. 2, n. 59, p. 834–877, 2023. Disponível em: https://publicacoes.agb.org.br/terralivre/article/view/2877. Acesso em: 21 abr. 2024.

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