Desigualdades regionais e pólos de desenvolvimento

o caso nordestino e o complexo industrial Portuário de Suape

Autores

Palavras-chave:

Desigualdade Regional, Sudeste, Nordeste, Polos de Desenvolvimento.

Resumo

A Revolução de 1930 buscou diminuir a dependência brasileira do mercado externo e fomentar a criação de um mercado interno forte. Entretanto, a alta concentração dos investimentos no Sudeste acentuou as desigualdades regionais brasileiras, em especial a do Nordeste. A partir de 1950 essa região se tornou foco de políticas econômicas, incorporando a teoria dos Polos de Desenvolvimento nas estratégias do Estado. Ocorre a implantação, no estado de Pernambuco, do Complexo Industrial e Portuário de Suape, cujas atividades passam a exercer grande influência no desenvolvimento econômico do estado, principalmente nas primeiras décadas do século XXI. Atualmente, se consolida como importante polo industrial com mais de 100 empresas instaladas. Assim sendo, o objetivo deste artigo é investigar as especificidades, causas e consequências que levaram a teoria dos polos de desenvolvimento a ser usada como estratégia para amenizar a disparidade regional do Nordeste frente ao Sudeste, focando, sobretudo, no Complexo Industrial e Portuário de Suape.

Biografia do Autor

Lucas Chaves Miquilini, Universidade Federal de Santa Catarina

Doutorando e Mestre em Geografia pelo Programa de Pós Graduação em Geografia na área de Desenvolvimento Regional e Urbano da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e economista pela mesma instituição. Desenvolve estudos sobre o setor portuário brasileiro, já tendo trabalhado o Porto de Paranaguá no Estado do Paraná na graduação e o Complexo Industrial e Portuário de Suape no Estado de Pernambuco no mestrado. Membro do Laboratório de Estudos Urbanos e Regionais (LABEUR-UFSC) desde 2019, contribuindo com estudos nas temáticas portuária e industrial. Possui interesse em estudos sobre industrialização brasileira e mundial, sistemas portuários (gênese, evolução e funcionamento) e sobre desenvolvimento econômico.

José Messias Bastos, Universidade Federal de Santa Catarina

Possui graduação em Graduação em Geografia pela Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC- (1980), mestrado em Geografia pela Universidade Federal de Santa Catarina (1996), pela linha de Pesquisa Desenvolvimento Regionais e Urbano, e cursou doutorado em Geografia (Geografia Humana) pela Universidade de São Paulo - USP (2002). Atualmente é Professor Associado da Universidade Federal de Santa Catarina, onde leciona a disciplina "Fundamentos de Economia Política para Geografia", na graduação, e "Organização do espaço mundial", "Pensamento de Ignácio Rangel", entre outras, no Programa de Pós-Graduação em Geografia (PPGGEO UFSC). Tem experiência na área de Geografia Humana, com ênfase em Geografia Econômica, atuando principalmente nos seguintes temas: industrialização, comércio, urbanização, economia, desenvolvimento e formação sócio-espacial. É editor-chefe do periódico e Série "Cadernos Geográficos" e da série "Livros Geográficos". Coordena o Instituto Ignácio Rangel (IIR) e o Laboratório de Estudos Urbanos e Regionais (Labeur - UFSC).

Edson de Morais Machado, Universidade Estadual de Maringá

Doutor em Geografia pela linha de pesquisa: Desenvolvimento Regional e Urbano (DRU), no Programa de Pós Graduação em Geografia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Possui Bacharel (2013) e licenciatura (2016) em Geografia pela UFSC e Mestrado pelo PPGGeo - UFSC pela linha de Pesquisa DRU. É pesquisador do Laboratório de Estudos Urbanos e Regionais (LABEUR/UFSC), onde realiza pesquisas ligadas a Economia Politica/ Planejamento Regional e Urbano/ Comércio internacional / Formação Socioespacial. Atuou como tutor presencial em projeto de extensão (2016); bolsista de Iniciação Cientifica (UFSC) em 2011 e 2013; Monitor da disciplina "Fundamentos de Economia Politica para Geografia" em 2014/02 e 2015/01. Além de professor da Educação básica estadual e municipal (fundamental, médio e EJA), foi docente do Instituto Federal Catarinense (IFC), Campus Blumenau (SC), onde lecionou para o nível médio técnico e, a nível de Graduação, as disciplinas de Fundamentos e Metodologia em Geografia (LPB0942) e Pesquisa e Processos Educativos (LPB0911). Lecionou no curso de Geografia da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Campus Itapuranga (GO). Atualmente é docente no Curso de Geografia da Universidade Estadual de Maringá (UEM / PR), sendo Pesquisador CNPQ em nível de Pós-Doutorado Júnior (PDJ - 2020-2022), com estágio pós doutoral na Universidade Federal de Santa Catarina (PPGGEO UFSC).

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Publicado

14/09/2022

Como Citar

CHAVES MIQUILINI, L.; MESSIAS BASTOS, J.; DE MORAIS MACHADO, E. Desigualdades regionais e pólos de desenvolvimento: o caso nordestino e o complexo industrial Portuário de Suape. Terra Livre, [S. l.], v. 2, n. 57, p. 615–655, 2022. Disponível em: https://publicacoes.agb.org.br/index.php/terralivre/article/view/2306. Acesso em: 29 set. 2022.

Edição

Seção

Artigos