Percepção do risco de ruptura da barragem gargalheiras e vulnerabilidade da população do município de Acari, Rio Grande do Norte - Brasil

Autores

Palavras-chave:

Vulnerabilidade, Geografia dos riscos, Percepção de risco, Semiárido

Resumo

A barragem Gargalheiras, localizada no município de Acari/RN, detém capacidade de 44 milhões de m³ aproximadamente. Nos últimos relatórios de inspeção expedidos pela Agência Nacional de Águas foram detectadas algumas patologias na estrutura do maciço Gargalheiras. Se por ventura houver um colapso estrutural e a barragem romper, atingirá diretamente a zona urbana do município de Acari em poucos minutos. O objetivo deste trabalho é avaliar a percepção da população de Acari sobre a possibilidade de uma ruptura da barragem Gargalheiras, em decorrência das anomalias que se apresentam na estrutura do maciço. Para entender as concepções de percepção e elencar as perguntas do questionário, foram formuladas 15 variáveis, divididas em zero a cinco sempre por extenso – a partir de 10, com números grupos: geral, lembrança do risco, pré-impacto, impacto e atenuação. Em suma, parte da população não se sente segura morando próxima ao rio, com medo de uma possível inundação, percebe-se também que, embora a população do setor censitário três esteja em uma mesma suscetibilidade ao perigo e a mesma realidade socioambiental, destaca-se que a percepção e a capacidade de lidar com o evento seria verificada de formas diferentes.

Biografia do Autor

Jhonathan Lima de Souza, Universidade Estadual de Campinas

Doutorando em Geografia pelo Programa de Pós-graduação em Geografia da Universidade Estadual de Campinas – Unicamp. Mestre em Geografia pelo Programa de Pós-graduação em Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Bacharel em Geografia pela UFRN. Integra o Laboratório de Geografia dos Riscos e Resiliência (LAGERR/UNICAMP). Membro do Grupo de Pesquisa Dinâmicas Ambientais, Riscos e Ordenamento do Território (GEORISCO/UFRN), do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas sobre Desastres (NUPED/UFRN). Atualmente trabalha com indicadores de adaptação e resposta à seca no semiárido norte-riograndense e riscos tecnológicos associados a pontes rodo-ferroviárias, bem como com levantamento de cenários de rupturas de barragens de concreto no semiárido nordestino, além disso tem atuado com questões de risco e vulnerabilidade voltadas a geografia da saúde, nos temas de suicídios e pandemias como do Sars-Cov-2.

Eduardo José Marandola Junior, Universidade Estadual de Campinas

Possui graduação (Licenciatura e Bacharelado) em Geografia pela Universidade Estadual de Londrina (2002 e 2003) e Doutorado em Geografia pelo Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (2008), realizando a Livre Docência na Área do Núcleo Básico Geral Comum (Sociedade e Ambiente) (2016). Atualmente é Professor Associado I (MS 5.1) da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) da Unicamp (campus de Limeira), onde coordena o Laboratório de Geografia dos Riscos e Resiliência (LAGERR), do Centro de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas (CHS) e atua como Professor Permanente do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas e Sociais Aplicadas (ICHSA). É professor também do Programa de Pós-Graduação em Geografia do Instituto de Geociências (IG) da Unicamp. É editor da revista eletrônica Geograficidade, do Grupo de Pesquisa Geografia Humanista Cultural (UFF/CNPq), do qual é um dos coordenadores. Coordena o Nomear - Grupo de Pesquisa Fenomenologia e Geografia (FCA/Unicamp) e é vice-líder do Grupo de Pesquisa Métodos Mistos e Análises Multiníveis (FCA/Unicamp). Tem trabalhado principalmente com perspectivas fenomenológicas, discutindo ontologia, epistemologia e literatura, em busca de abordagens teórico-metodológicas da interdisciplinaridade contemporânea. Interessa-se também pela interface dos estudos urbanos, ambientais e populacionais, em especial mobilidade urbana, riscos e vulnerabilidade e experiência metropolitana nos processos de mudanças ambientais.

Lutiane Queiroz de Almeida, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Possui Graduação (Licenciatura e Bacharelado) em Geografia pela Universidade Estadual do Ceará (2002) e Mestrado em Geografia pela Universidade Estadual do Ceará (2005). Doutorado em Geografia pela Universidade Estadual Paulista - UNESP, Campus de Rio Claro, com período sanduíche na Université de Paris X, Nanterre, e bolsista da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP. Atualmente é Professor Associado do Departamento de Geografia, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN, Professor do Programa de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia da UFRN, coordenador do grupo de pesquisa GEORISCO - Dinamicas ambientais, Riscos e Ordenamento do Território. Recebeu o Prêmio de Melhor Tese pela Associação Nacional de Pós-Graduação em Geografia - ANPEGE, em 2011 e o Prêmio Capes de Teses na área de Geografia, em 2012. Em 2014/2015, realizou pós-doutorado na United Nations University, em Bonn e período complementar no Institute of Regional Development Planning, University of Stuttgart, também na Alemanha, na condição de Bolsista CAPES Pós-Doutorado (Ciência sem Fronteiras), Processo n° 4289/14-5. Tem experiência na área de Geografia Física, com ênfase em Planejamento Ambiental, atuando principalmente nos seguintes temas: análise geoambiental, problemática ambiental urbana, rios urbanos e bacia hidrográfica, planejamento ambiental e territorial, mas principalmente em indicadores de riscos e vulnerabildades, desastres naturais; e mapeamento e modelagem de riscos.

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Publicado

14/09/2022

Como Citar

SOUZA, J. L. de; DAMASCENO SOUZA, A. C.; MARANDOLA JUNIOR, E. J.; ALMEIDA, L. Q. de. Percepção do risco de ruptura da barragem gargalheiras e vulnerabilidade da população do município de Acari, Rio Grande do Norte - Brasil. Terra Livre, [S. l.], v. 2, n. 57, p. 505–525, 2022. Disponível em: https://publicacoes.agb.org.br/index.php/terralivre/article/view/2228. Acesso em: 29 set. 2022.

Edição

Seção

Artigos