A Geografia Profético-Mítica
a dramaticidade da geograficidade (neo)pentecostal
DOI:
https://doi.org/10.54446/bcg.v13i2.2980Palavras-chave:
Geograficidade, Geografia Profética e Mítica, (Neo)Pentecostalismo, Forma simbólica, Religião e mitoResumo
Cassirer, em sua filosofia das formas simbólicas, explorando as diferenciações e o cordão umbilical comum entre mito e religião, assevera que o primeiro já é a religião em potencial, enquanto esta não pode, por sua vez, perder completamente a estrutura do mundo mítico. Navegando nestas correntezas, Dardel nos apresenta uma Geografia Mítica e uma Geografia Profética enquanto modos de experiência da realidade geográfica. O que intentamos neste artigo é mostrar como, recobrando as bases de um cristianismo primitivo, a fé (neo)pentecostal enseja um retorno-convergência da forma simbólica “religião” ao “mito”, uma via de retorno não imaginada por Cassirer. Neste contexto, busca-se apresentar a Geografia Profético-Mítica do movimento (neo)pentecostal e a dramaticidade de sua geograficidade. O debate se inicia com um preâmbulo teórico sobre as formas simbólicas e uma análise específica do mito e da religião, ao que se sucede a apresentação da constituição do pentecostalismo e sua consolidação no Brasil. Por fim, se discute a referida – e dramática – geograficidade de uma Geografia Profético-Mítica.
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