Mulheres pretas e periféricas na linha de frente

o Hip-Hop como ação contrarracional no espaço banal de São Luís-MA

Autores

DOI:

https://doi.org/10.61636/bpg.v1i115.3896

Palavras-chave:

Territorialidades periféricas, cultura Hip-Hop, resistência urbana

Resumo

Este artigo analisa a Cultura Hip-Hop como fenômeno afro-diaspórico e urbano que atua como forma de resistência e produção de territorialidades periféricas, com foco nas ações do Núcleo de Mulheres Preta Anastácia, no bairro João Paulo, periferia de São Luís-MA. A pesquisa busca compreender como essa cena cultural se manifesta como instrumento de ação socioespacial, especialmente nas experiências político-culturais desenvolvidas por mulheres negras. Utilizando uma abordagem qualitativa, dialógica e interpretativa, foram aplicadas entrevistas semiestruturadas, observação participante e análise de materiais audiovisuais. Os resultados apontam que o Hip-Hop, enraizado nas vivências cotidianas da periferia, constitui práticas contrarracionais e formas de reinvenção da vida urbana. Assim, a pesquisa reforça o papel transformador do Hip-Hop como movimento socioterritorial e político, capaz de repensar os projetos de cidade a partir das margens.

Biografia do Autor

Mauricio Moysés, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

Atualmente é professor substituto no Instituto Federal de São Paulo - IFSP, campus de Hortolândia. Atuou como professor visitante e professor credenciado no Departamento de Geografia - DGEO do Instituto de Geociências - IG da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP. Possui formação em Geografia: Bacharelado (2016), Licenciatura (2017), Mestrado (2018) e Doutorado (2023) pela UNICAMP. No Doutorado, realizou em 2023, período sanduíche em Geografia Social na Universidad Nacional Autónoma de México - UNAM. Tem experiência na área de Geografia Humana, com ênfase em Geografia Urbana e Ensino de Geografia, atuando principalmente nos seguintes temas: espaço banal, urbanização, periferização, circuito e círculo econômico-cultural. Tem interesse na área de Epistemologia da Geografia, Estudos Culturais e Didática da Geografia. Atua como pesquisador no Grupo de Pesquisa Círculos de Informação Urbanização e Território - CIUTE do Laboratório de Investigações Geográficas e Planejamento Territorial - GEOPLAN e colaborador da Rede de Pesquisadoras da America-Latina sobre a Urbanização Interseccionalizada - RELAUI. É autor do livro - Véi, aqui o papo é reto - o Circuito RAP do Distrito Federal (Editora CRV, 2022)

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Arquivos adicionais

Publicado

13-04-2026

Como Citar

Moysés, M. (2026). Mulheres pretas e periféricas na linha de frente: o Hip-Hop como ação contrarracional no espaço banal de São Luís-MA. Boletim Paulista De Geografia, 1(115), 115–136. https://doi.org/10.61636/bpg.v1i115.3896

Edição

Seção

Artigos