A mobilidade do trabalho no Haiti entre os séculos XIX e XXI
DOI:
https://doi.org/10.61636/bpg.v1i115.3877Palavras-chave:
Migrações, Caribe, Territorialização do CapitalResumo
O Haiti, uma das colônias francesas mais ricas, se tornou o país mais pobre do continente americano e a migração internacional é uma de suas marcas. Partimos da questão migratória para pensar a mobilidade da força de trabalho haitiana para além de sua dimensão espacial, buscando em sua história passada e recente as diferentes formas desta mobilização e as estratégias para implementá-las. A análise se inicia após a Revolução de 1804 e é dividida em três partes: a primeira, situada no século XIX, abarca o processo de formação do Estado, a dupla dívida com a França e a tentativa de implementação do Código Rural; a segunda apresenta as relações entre a intervenção militar estadunidense durante o início do século XX e a modificação da Constituição haitiana sobre a aquisição de terras; e a terceira discorre sobre a entrada em cena de organismos de ajuda humanitária e instituições financeiras internacionais, como o FMI e o Banco Mundial. As reflexões apresentadas foram desenvolvidas a partir da participação em projeto de extensão constituído por formação teórica, realizada ao longo de 2024, e atividades de campo realizadas na República Dominicana e no Haiti entre o final de janeiro e o início de fevereiro de 2025. Como referências teóricas, além da análise marxiana de Jean Paul-de Gaudemar sobre a mobilidade do trabalho, foram utilizados intelectuais haitianos e de outros países, obras clássicas, pesquisas contemporâneas que tratam do tema, e reportagens jornalísticas.
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