Reflexões teóricas da geografia feminista decolonial sobre as espacialidades coloniais reprodutoras do controle social do corpo feminino durante o parto

Autores

Palavras-chave:

gênero, geografias feministas, práticas feministas, parto

Resumo

O presente trabalho apresenta reflexões em torno das relações de gênero atrelado às feminilidades, vistas por meio das espacialidades coloniais que reproduzem o controle ao corpo feminino. De um lado o parto tradicional como um campo de significados e práticas que resistem as colonialidades e suas formas de controle, por outro lado, as reflexões sobre os corpos que fazem parte desse processo, em especial corpos femininos e com útero, respeitando a diversidade do ser mulher. A partir de uma revisão de literatura recente sobre a temática, nas geografias feministas, em especial, observamos que tanto as parteiras como o parto tradicional podem ser interpretados como um movimento de resistência às colonialidades e ao controle de corpos, sobretudo o de mulheres, que experimentam uma vivência a partir de complexas e múltiplas hierarquias.

Biografia do Autor

Cíntia Cristina Silva, UEPG

Mestranda em Gestão do Território pela UEPG - Universidade Estadual de Ponta Grossa - PR. Integrante do Grupo de Estudos Territoriais (GeTE - UEPG). Formada em Bacharel em Geografia pela UFF - Universidade Federal Fluminense, no ano de 2019. Tem experiência na área de Geografia, com ênfase em Geografia e Diversidades e História do Pensamento Geográfico, atuando principalmente nos seguintes temas: ciência, epistemologia da geografia, geografias feministas, geografias negras e interseccionalidade. 

Bruna dos Santos, UEPG

Possui graduação em História pela Universidade Estadual do Centro-Oeste (2011). Pós-Graduada em nível ' Lato Sensu' em Filosofia, Sociologia e Ensino Religioso (2013) pela Faculdade de Ensino Superior Dom Bosco. Pós-Graduada em nível 'Lato Sensu' em Educação Especial Inclusiva com Ênfase em Avaliação Diagnóstica Escolar (2014) pela faculdade de Administração, Ciências e Letras. Pós-Graduada em nível 'Lato Sensu' na área de Educação, em Educação Especial e Psicomotrocidade (2017) pela Faculdade de Educação São Luís. Professora da rede pública de ensino do Estado do Paraná nas disciplinas de ensino religioso e professora de apoio a comunicação alternativa (2011-2019). Mestranda Gestão do Território pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (2020-2022). 

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Publicado

14/09/2022

Como Citar

SILVA, C.; DOS SANTOS, B. Reflexões teóricas da geografia feminista decolonial sobre as espacialidades coloniais reprodutoras do controle social do corpo feminino durante o parto . Terra Livre, [S. l.], v. 2, n. 57, p. 190–225, 2022. Disponível em: https://publicacoes.agb.org.br/index.php/terralivre/article/view/2290. Acesso em: 29 set. 2022.

Edição

Seção

Artigos